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O rosto da lenda: as marcas indianas de Freddie Mercury

  Muito antes de se tornar a voz inesquecível do Queen , Freddie Mercury já carregava no próprio rosto um retrato vivo de sua herança. Filho de Bomi e Jer Bulsara, indianos da região de Gujarate — no extremo oeste do país —, Freddie era herdeiro de uma história marcada por deslocamentos, miscigenação e encontros culturais que moldaram não apenas sua identidade, mas também sua imagem pública.   A Índia, desde os tempos mais remotos, foi território de passagem e fusão: povos dravidianos, mongóis, caucasianos e, posteriormente, comerciantes e colonizadores que ampliaram ainda mais o mosaico étnico. Não surpreende que essa diversidade se refletisse no cantor, que nasceu em Zanzibar, em 1946, numa ilha onde o comércio com a costa indiana deixava marcas profundas na população. Observá-lo no palco era se encantar com um rosto que narrava séculos de história. Seus olhos grandes e amendoados pareciam conter tanto a melancolia quanto a intensidade de quem nasceu para encantar multid...

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Queen e Freddie Mercury transformaram casa de campo em estúdio de ensaio nos anos 70

 

Queen em Rockfield


O tempo em que Freddie Mercury veio para ficar


Quando Tiffany Murray tinha apenas seis anos, a tranquilidade de sua infância no campo foi transformada pela chegada inesperada de um caminhão carregado de equipamentos e uma limusine estacionada em frente à sua casa vitoriana. Sua mãe, Joan, havia anunciado no The Times a disponibilidade da casa como espaço de ensaio para bandas, com a condição de que não fossem grupos de rock pesado. No entanto, foi o Queen que acabou ocupando o local.


A família se mudou para o celeiro — um espaço simples, frio e com presença de ratos — enquanto o grande salão da casa era tomado por amplificadores, cabos e músicos. Tiffany observava tudo do alto da escada, dividida entre a curiosidade e o estranhamento diante daqueles “homens peludos” que passaram a fazer parte do seu cotidiano.

Tiffany Murray 

Com o passar dos dias, ela virou presença constante nos ensaios. O som das guitarras e da bateria era tão alto que, à noite, seus ouvidos ainda zumbiam. Certa manhã, ao chegar cedo, Tiffany viu Freddie Mercury ao piano, ensaiando uma música complexa. Ao notar a garotinha, Freddie se virou e perguntou:

— Você gosta?

— É fantástica — respondeu Tiffany.

— É um pouco longa — brincou Freddie, antes de voltar a tocar. A canção era Bohemian Rhapsody.


De acordo com Joan, Mercury era um homem gentil e reservado, que não se incomodava com a presença dos gatos da casa. Ela mesma cozinhou para o Queen durante todo aquele período, alimentando não apenas os músicos, mas também as canções e os verdadeiros hinos do rock que surgiam ali.

“Mamãe alimentou Bohemian Rhapsody” no Rockfield Farm, recorda Tiffany.


Queen em Rockfield

Rockfield Studio: berço de grandes clássicos do rock

Localizado próximo à cidade de Monmouth, no sul do País de Gales, o Rockfield Studio é um dos estúdios de gravação mais emblemáticos da história da música rock. Fundado em 1965 pelos irmãos Kingsley e Charles Ward, o estúdio ganhou fama por ser um espaço onde artistas de renome mundial puderam criar e gravar seus álbuns em meio à tranquilidade do campo.


O Rockfield Studio é especialmente conhecido por ter recebido bandas icônicas como Queen, Oasis, Coldplay, Rush e muitos outros. Foi ali que o Queen iniciou a gravação da emblemática faixa Bohemian Rhapsody, em 1975, aproveitando a estrutura acolhedora e a atmosfera inspiradora do local.


Com uma combinação única de tecnologia de ponta e ambiente rural, o Rockfield continua até hoje sendo um destino privilegiado para músicos que buscam criar obras memoráveis longe da agitação urbana.


Rockfield Studio


Fonte: The Guardian

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