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O rosto da lenda: as marcas indianas de Freddie Mercury

  Muito antes de se tornar a voz inesquecível do Queen , Freddie Mercury já carregava no próprio rosto um retrato vivo de sua herança. Filho de Bomi e Jer Bulsara, indianos da região de Gujarate — no extremo oeste do país —, Freddie era herdeiro de uma história marcada por deslocamentos, miscigenação e encontros culturais que moldaram não apenas sua identidade, mas também sua imagem pública.   A Índia, desde os tempos mais remotos, foi território de passagem e fusão: povos dravidianos, mongóis, caucasianos e, posteriormente, comerciantes e colonizadores que ampliaram ainda mais o mosaico étnico. Não surpreende que essa diversidade se refletisse no cantor, que nasceu em Zanzibar, em 1946, numa ilha onde o comércio com a costa indiana deixava marcas profundas na população. Observá-lo no palco era se encantar com um rosto que narrava séculos de história. Seus olhos grandes e amendoados pareciam conter tanto a melancolia quanto a intensidade de quem nasceu para encantar multid...

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Um presente inesquecível de Freddie Mercury para um fã dedicado

 

Freddie Mercury


No dia 17 de fevereiro de 1987, Freddie Mercury e o músico Mike Moran estiveram no Town House Studios, em Londres, gravando duas canções que dariam início ao projeto Barcelona. Entre elas, estava “I Can’t Dance”, inspirada por um amigo bailarino anônimo de Freddie, que chegou a participar nos vocais de apoio — embora a versão lançada oficialmente não o inclua.


Durante as sessões, Freddie descobriu através da fã-clube internacional da banda Queen a história de Colin Preston, um jovem de Plymouth, no condado de Devon, que estava em coma após um grave acidente de carro. Colin era um grande admirador de Freddie e se considerava seu sósia, tanto no jeito de se vestir quanto no comportamento, vivendo e respirando a admiração pelo ídolo.


Colin Preston

 

Sem poder visitá-lo pessoalmente, Freddie usou seu tempo no estúdio para gravar uma música especial dedicada a Colin: “Keep Smiling”. Após a gravação, a fita foi enviada à família do jovem, que revelou que a canção foi um verdadeiro conforto para Colin, que chegou a reagir por um tempo, mas infelizmente faleceu aos 26 anos.

 



A família de Colin prometeu que a fita seria enterrada junto ao filho, para que ninguém mais pudesse copiá-la — fazendo da música um presente único e exclusivo. Ainda assim, a faixa foi incluída na coletânea The Solo Collection (2000), com uma dedicatória emocionada a Colin.


No trecho final da canção, é possível ouvir Freddie gritar: “Colin, keep smiling!” (Colin, continue sorrindo) — um gesto simples e comovente de um artista com um coração enorme, que transformou sua música em abraço e esperança.

 

Anos depois, um amigo de infância de Colin esclareceu que, ao contrário do que se dizia, Colin enfrentava um câncer e não um coma, e que faleceu em 2010. Mesmo assim, a história do carinho de Freddie permanece viva, um testemunho da generosidade e sensibilidade do vocalista do Queen.

 




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