“Eu vou amá-la até
meu último suspiro”
(Freddie Mercury ao ‘The Sun’)
Falar sobre Mary Austin na vida de Freddie Mercury é quase que sagrado e também um tanto polêmico. Eu amo a comunidade LGBTQIA+, e acredito que toda forma de amor vale a pena e tem que ser respeitada. Mas se existe algo que ainda deixa alguns fãs enfurecidos é o fato de Mercury ter deixado a mansão onde morava e grande parte de sua fortuna para a ex-noiva, com quem viveu por seis anos como casal e depois, após o fim do relacionamento, como sua melhor amiga e confidente para o resto da vida.
Mesmo discreta e raramente dando entrevistas, é impossível negar o papel que ela teve na vida do vocalista do Queen. Foi para ela que ele confiou até suas cinzas. Talvez existam ainda outros segredos que nós, pobres mortais, nunca saberemos, a não ser que ela seja mais uma das pessoas que se relacionou com Mercury e resolver escrever um livro.
Acredito que muitas pessoas passaram a odiá-la por acreditar integralmente nos relatos de Jim Hutton – último namorado de Freddie – após a publicação de seu livro, onde ele a descreve como fria, autoritária e mesquinha por não permitir que ele e os amigos que também moravam e trabalhavam na casa ficassem lá pelo tempo que desejassem. Mas isso é tema para um longo post que ainda vamos publicar por aqui.
Agora, o foco é Mary e com ela a pergunta que não quer calar: porque Mercury deixou a maior parte de sua herança para ela? Tire suas conclusões após ler os fatos!
Filha de pais surdos-mudos, Mary nasceu no dia 6 de março de 1951 em uma família pobre no sul de Londres. Seu pai trabalhava como finalizador de papel de parede e sua mãe era empregada doméstica em uma pequena firma. Ela teve que começar a trabalhar duro desde 15 anos, tendo que abandonar a escola. Pequena e delicada, a jovem de cabelo cor de damasco, olhos verdes e cílios de 'Bambi' – como descreve a biógrafa Lesley-Ann Jones –, chamava facilmente a atenção dos rapazes.
“Ela era modesta, meiga e encantadora. Simplesmente dava vontade de abraçá-la. Pálida, tímida e com as madeixas viçosas caindo pelo rosto”, descreveu Mick Rock, amigo do casal.
Aos 17 anos, Mary era secretária estagiária quando conseguiu o emprego na Biba e era considerada relações públicas, secretária, vendedora, gerente de departamento e gerente geral. Qualquer que fosse o cargo ou posição que ela ocupasse na prestigiosa butique, uma carreira no varejo parecia uma escolha incomum para uma jovem tímida que tinha dificuldade em falar, considerando que ela cresceu em um lar notavelmente silencioso.
Biba na época era celeiro da moda para celebridades da música e do cinema como Jagger ou McCartney, que se misturam livremente com os fashionistas. Podemos dizer que era point badalado principalmente por jovens mais descolados.
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| Freddie cm Mary na banca de roupas / Foto: Roger Taylor |
Como se conheceram
O ano era 1969 quando Freddie Mercury conheceu Mary Austin, ela tinha 19 anos e ele 23. Dona de uma grande beleza, a jovem que trabalhava na elegante butique Biba fazia parte do time das lindas balconistas. O primeiro a se encantar por ela foi Brian May. Chegaram a sair, mas ficou só na amizade. Em compensação Freddie, também deslumbrado, sabendo que Brian não estava mais no páreo, pediu que os apresentasse.
Naquela época, o jovem Freddie Bulsara, já formado em Design Gráfico pela Ealing College of Art, não queria trabalhar na profissão e ficar preso em nenhum tipo de trabalho fixo por oito horas. Ele almejava fazer parte de uma banda de sucesso e sabia que precisaria dar duro para isso. Então, para conseguir algum dinheiro. dividia com Roger Taylor uma barraca de roupas (brechó) em Kensington.
Durou cerca de seis meses, passando lá quase todos os dias para vê-la, que ele tomou coragem e a convidou para comemorar o seu aniversário de 24 anos, mas Mary mentiu dizendo que estava ocupada naquela noite. Ela contou ao jornalista David Wigg, como aconteceu.
"Eu tento ser boa. Não que eu realmente tivesse um motivo para não ir. Mas Freddie não se intimidou e insistiu. Saímos no dia seguinte. Ele queria ver Mott the Hoople no Marquee Club no Soho. Não havia muito dinheiro naquela época, então fazíamos programas comuns, como qualquer jovem. Não jantávamos em lugares caros. Isso só veio mais tarde quando ele ficou famoso.” Cinco meses depois do primeiro encontro eles começaram a morar juntos. Era o início da dedicação de um ao outro por toda uma vida.
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| Um emprestava roupa para o outro |
Sempre o apoiou
Mary esteve com Freddie antes do dinheiro, apoiando a carreira do namorado desde o início. Eles moravam na Victoria Road em um quanto alugado, tipo pensão, onde tinham que compartilhar banheiro e cozinha com outras pessoas.
Houve um momento em a banda não deslanchava e os integrantes tiveram que se virar para conseguir uma fonte de renda. Freddie contava com Mary para o sustento de ambos, pois os trocados que ele arrecadava com a banca de roupas mal dava para pagar o mercado no fim de semana.
Depois de dois anos, já com a vida um pouco melhor, o casal se mudou para um apartamento um pouco maior, mas cheio de infiltrações na Holland Road. Eles cresceram juntos e tinham a mesma ambição de prosperar.
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| Uma das primeiras fotos de Freddie como vocalista do Queen com Mary |
Seguiu com ele
Quando o Queen deu uma guinada e Mary viu Freddie no palco como nunca havia visto, ela achou que ele estava no caminho certo e ficou feliz porque as coisas estavam finalmente acontecendo para ele. Pensou que naquele momento o vocalista não precisasse mais dela, já que era uma estrela em formação. Quando o show terminou Mercury ficou em meio a um aglomerando de fãs e amigos. Achando que ele estava ocupado e que não precisaria mais dela tendo a certeza de que seria uma nova etapa onde teria que se dedicar integralmente à música, resolveu sair de cena para deixá-lo seguir seu caminho. Mary contou a David Wigg como foi.
“Eu comecei a ir embora e ele veio correndo atrás de mim. Ele disse ‘Onde você está indo? Eu lhe disse que estava indo para casa. Mas ele não me deixou ir. Naquela noite, eu percebi que eu tinha que ir junto e ser parte daquilo que estava acontecendo. Eu tive o privilegio de ver o desabrochar e ser parte dele. Foi maravilhoso ver este momento. Havia algo acontecendo e foi emocionante. Eu estava tão feliz por ele ficar comigo e querer que participasse”.
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| Mary era parte integrante da vida de Mercury |
Abriu mão de seus sonhos
Quando o Queen lançou o primeiro disco, em 1973, Freddie resolver surpreender a amada. Mary tinha 23 anos na época quando recebeu dele no dia de Natal uma caixa de presente enorme. Dentro dela estava outra caixa, e depois outra, e assim foi até chegar à última. Quando ela abriu encontrou um anel de jade. Atordoada – como também foi mostrado no filme Bohemian Rhapsody (2018) –, perguntou a Mercury em que mão deveria colocar o anel. Ele apontou para a esquerda e a pediu em casamento. Em choque, disse que “sim”, que se casaria com ele.
"O meu amor por Freddie era enorme e muito intenso. Ele tinha qualidades que considero raras hoje. Sabíamos que podíamos confiar um no outro e que não nos magoaríamos de propósito", disse na mesma entrevista a David Wigg.
O casamento, no entanto, não chegou a acontecer. À medida que crescia sua carreira como vocalista do Queen, Mercury passava cada vez mais tempo fora de casa, e o casal começou a se distanciar.
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A devoção e o carinho que tinham um pelo outro nunca mudou |
Não o rejeitou
Depois de quase seis anos vivendo juntos, Mary notou que algo havia mudado na personalidade de seu amor. Achava até que ele tinha perdido o interesse nela porque vivia dando desculpas como "Estamos gravando querida" ou "Estamos distraídos, desculpe o atraso". Até que um dia, ele disse que precisava lhe contar algo e revelou ser bissexual, que teve relações com homens durante as turnês. Nervosa, Mary disse que não achava que ele fosse bissexual, mas que ele era gay! Ainda assim, o músico a abraçou e afirmou que queria que Mary continuasse fazendo parte da sua vida.
O romance acabou naquele momento. Mary não admitiria ter uma vida sexual com Freddie tendo outros amantes, mas a partir daí nascia uma amizade que duraria por toda vida.
"Acho que ele nunca pensou que eu apoiaria o fato dele se tornar homossexual. Mais eu o apoiei porque era uma parte dele. Não era justo negar ao Freddie o direito de estar em paz com ele mesmo”, afirmou Mary no documentário “Untold Story”.
Nunca traiu Freddie
Mary passou por cima da dor de ver seus sonhos despedaçados e permitiu que a relação entre eles se transformasse numa profunda amizade, fato que revela muito da personalidade dessa mulher de aparente fragilidade que escondia uma grande força interior e uma serenidade que Freddie tanto admirava.
A partir desse momento, ela virou o “braço direito” dele e os dois se viam todos os dias, nem que fosse por pouco tempo. Ele comprou um apartamento perto do dele para ela e lhe deu um cargo administrativo na banda Queen e, mais tarde, como sua assistente pessoal, uma espécie de “faz-tudo”. Freddie a chamava de “Old Faithful” (companheira fiel).
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| Mary e Freddie no avião |
Era seu porto seguro
A declaração mais importante e definitiva de Freddie Mercury falando sobre sua vida amorosa talvez seja: “Eu não poderia me apaixonar por um homem como poderia me apaixonar por uma garota. O amor é a coisa mais difícil de alcançar e a única coisa neste negócio que pode decepcioná-lo mais. Eu construí um vínculo imenso com Mary. Ela passou por quase tudo comigo e sempre esteve lá para mim.”
De fato foi o que ocorreu. Mary testemunharia Mercury viver uma vida de excessos pródigos, a existência de um deus do rock alimentada por abuso de substâncias e encontros sexuais aleatórios. Quando não conseguia suportar a pressão da carreira e os excessos da vida, era a ela quem recorria para se sentir seguro novamente.
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| Mary e Freddie na festa de aniversário de 38 anos do astro |
Esposa por direito
Freddie deixou registrado em uma entrevista de 1985 que pode ser conferida na internet: “Todos os meus amantes me perguntam porque eles não poderiam substituir Mary, mas é simplesmente impossível. A única amiga que eu tenho é Mary e eu não quero mais ninguém. Para mim, ela era minha esposa como determina a lei. Para mim, foi um casamento. Acreditamos um no outro, isso é o suficiente para mim.” Em todos os eventos sociais e também nas celebrações em família, era ela quem o acompanhava.
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| Os namorados de Mary se sentiam ofuscados por Freddie |
Relacionamentos fracassados
Ao longo da vida, Austin também teve outros namorados e se casou por duas vezes. A primeira foi em 1990 com Piers Cameron, pai de seus dois filhos Richard Frederick e James Alistair, se divorciando dele em 1993. Depois se casou novamente com Nicholas Holdord em 1998, mas a união também não durou muito, terminando em separação em 2002. Em entrevistas, Mary contou que seus relacionamentos com os homens pareciam condenados ao fracasso, talvez porque eles se sentissem ofuscados por Freddie.
Mesmo com o pai de seus filhos, que não gostava de Mercury, ela estava em um relacionamento de idas e vindas. "Cameron sempre se sentiu na sombra de Freddie", explicou. Freddie também continuaria a ter casos com mulheres, apesar dos intermináveis fluxos de amigos gays.
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| Freddie e Mary em Budapeste |
Amor de sua vida
O testamento do frontman do Queen revela a gratidão e a devoção que ele ainda tinha por seu primeiro amor. Mary foi a maior herdeira de sua fortuna, desagradando muita gente próxima a ele, como contou em um documentário. Freddie deixou sua mansão em estilo gregoriano (Garden Lodge) avaliada na época em R$ 150 milhões, todos os seus pertences (quadros valiosos, obras de arte, antiguidades e móveis Luis XV), 50% do gigantesco apartamento em Nova Iorque, mais a metade do dinheiro disponível em bancos e royalties decorrentes das músicas e da marca Queen. A outra parte foi dividida entre seus pais Bomi Bulsara e Jer, e a irmã Kashmira Cooke. Mary acabou ganhando muito mais que a família de Freddie e seu parceiro Jim Hutton.
Em seu testamento, o astro do rock deixou £ 500.000 (3 milhões de reais) em quantia iguais para o ex-parceiro Jim Hutton e para os funcionários e amigos Joe Fanelli e Peter Freestone que moravam em Garden Lodge. Antes de morrer, segundo o próprio Freestone, Freddie comprou um imóvel para cada um deles.
Este fato é um forte indicativo de que não havia intenção por parte de Mercury em deixá-los morando em Garden Lodge após a sua morte, ao contrário do que Hutton sustenta em seu livro. No caso do ex-naorado, foi uma casa em sua terra natal, na Irlanda.
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| Mary na casa que Freddie deixou para ela |
Mercury era tudo para ela!
Após a morte de Freddie, em 24 de novembro de 1991, Mary teve problemas emocionais e desenvolveu algumas doenças, entre elas a depressão. Grávida de sete meses do seu segundo filho Jamie, não conseguia lidar com e tantas situações desafiadoras para cuidar. Ao documentário “Freddie Mercury: The Untold Story”, revelou: “Os meses posteriores à morte de Freddie foram os mais solitários e difíceis da minha vida. Tive muitos problemas para aceitar que [ele] tinha ido e tudo o que havia me deixado. Perdi a minha família quando o Freddie morreu. Além dos meus filhos, ele era tudo para mim.”
Vizinhos contaram à imprensa após o lançamento do filme Bohemian Rhapsody (2018), que ela raramente sai de casa e quando isso acontece costuma ser num Mercedes antigo. Nas poucas entrevistas que deu na época, Mary havia deixado a casa exatamente como Freddie decorou.
Último segredo
Infectado pelo HIV, Mercury sabia que não lhe restava muito tempo de vida. Então, os anos seguintes foram dedicados à música. Mary foi a primeira a saber sobre sua doença, em 1987, e continuou ao seu lado, administrando a casa do cantor e também sua empresa. Já casada, com um filho de três anos e grávida de sete meses do segundo filho, esteve com Freddie até sua morte em 24 novembro de 1991, vítima de broncopneumonia acarretada pela Aids. Porém, antes de partir, o astro lhe pediu para guardar um segredo: o local onde gostaria que suas cinzas fossem depositadas por ela. E Mary assim cumpriu sua promessa para que o seu amor descansasse em paz!
Referências: Documentário “Freddie Mercury: The Untold Story”, Jornal El País, Jornal The Sun, Daily Telegraph, Tablóide inglês Daily Mail, Livro “Freddie and Me”(Jim Hutton), Livro “Freddie Mercury: A biografia definitiva” (Lesley-Ann Jones), Livro “Livro “Freddie Mercury: a biografia”(Laura Jackson) e Blog Ask Phoebe.
Créditos: Reprodução Internet / Nenhuma intenção de infração de direito do autor












Claro que sim, foi a única entre os que viviam em casa dele , que não traiu Freddy
ResponderExcluirNão mesmo, nem depois de sua morte.
ExcluirEssa mulher é admirável, por isso Freddie Mercury a amou até o resto de seus dias! Foi o único amor verdadeiro q ele teve os demais foi puro Sexo!
ResponderExcluirMuita gente ainda não consegue entender isso!
ExcluirTeve todo direito ela merecia
ResponderExcluirCom certeza!
ExcluirSim ela foi merecedora da herança , ela foi o grande amor do Freddie !!
ResponderExcluirFico furiosa com esses “fãs” que se acham donos da verdade e de atacar alguém e espalham pela internet mentiras por causa de um livro,só pelo filme da pra ver que ela nunca foi essa mulher fria que ele descreveu. Pois os integrantes deram seu testemunho sobre ela para o roteirista. A maior prova de que Mary sempre foi e será o único amor da vida do Freddie Mercury é o segredo das cinzas na qual nem os próprios filhos dela sabem e entendem. Infelizmente tem uns” fãs” que não aceitam o fato de que uma mulher recebeu a fortuna e herança.
ResponderExcluirNÃO
ResponderExcluirSim!
ExcluirApoiou ele em tudo e cuidou dele até sua morte. Nunca o traiu e muito menos falava da sua intimidade como seu último namorado(seu jardineiro) fez em um livro,após sua morte.Freddie dizia: eu tenho Mary e isso me basta. Era um casamento, da maneira deles, tanto que ele deixou a maior parte de toda a sua fortuna.
ResponderExcluirExatamente, sem falar que o livro de Jim foi baseado em sensacionalismos e mentiras, fruto de muitas mágoas com Mary. Ele nunca se conformou que ela foi beneficiada com boa parte da herança de Freddie!
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