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O rosto da lenda: as marcas indianas de Freddie Mercury

  Muito antes de se tornar a voz inesquecível do Queen , Freddie Mercury já carregava no próprio rosto um retrato vivo de sua herança. Filho de Bomi e Jer Bulsara, indianos da região de Gujarate — no extremo oeste do país —, Freddie era herdeiro de uma história marcada por deslocamentos, miscigenação e encontros culturais que moldaram não apenas sua identidade, mas também sua imagem pública.   A Índia, desde os tempos mais remotos, foi território de passagem e fusão: povos dravidianos, mongóis, caucasianos e, posteriormente, comerciantes e colonizadores que ampliaram ainda mais o mosaico étnico. Não surpreende que essa diversidade se refletisse no cantor, que nasceu em Zanzibar, em 1946, numa ilha onde o comércio com a costa indiana deixava marcas profundas na população. Observá-lo no palco era se encantar com um rosto que narrava séculos de história. Seus olhos grandes e amendoados pareciam conter tanto a melancolia quanto a intensidade de quem nasceu para encantar multid...

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O verdadeiro nome de Freddie Mercury é Farrokh Bulsara

 


“Quero tudo e quero já!"
(Freddie Mercury)

 

Não! Freddie Mercury não era o seu nome de batismo. Para um homem que se tornaria um dos maiores artistas de todos os tempos, ele tinha plena convicção que Farrokh Bulsara não seria um ‘nome vendável’. 
Naquela época, existia certo preconceito na indústria da música ocidental e Freddie sabia que para pessoas como ele não havia espaço. Bem, mas vamos contar como tudo começou!

 

Jer Bulsara com o filho Farrokh (Foto: Reprodução)

 

Primogênito do casal Bulsara

Freddie, ou melhor, Farrokh Pluto Bulsara nasceu em 5 de setembro de 1946, na Cidade de Pedra em Zanzibar, na África, na época um protetorado britânico que hoje faz parte da Tanzânia. Seus pais Bomi Bulsara e Jer eram indianos parsi e membros de uma comunidade de religião zoroástrica que moram no oeste da Índia, especialmente na cidade de Bombay.

Eles casaram e depois de estabeleceram em Zanzibar, onde Bomi trabalhou como caixa para o Supremo Tribunal do governo britânico. Com uma vida abastada para uma família de classe média que tinha uma babá e outros empregados.

No documentário “Untold History”,  Jer conta que o dia do nascimento do filho coincidiu com o Ano Novo Parsi e que ela lhe deu este nome porque estava na moda. Em casa, ela o chamava carinhosamente de 'Nino'. A origem do nome Farrokh significa fortuna, felicidade.  

Foi por volta de oito anos de idade, que Bomi e Jer enviaram o filho à Índia para estudar no internato inglês de St. Peter, na cidade de Panchgani, perto da capital Bombain. Foi aí que o seu primeiro nome, Farrokh, começou a desaparecer.  


O pequeno Farrokh com sua babá Sabine (Foto: Pinterest)

A origem do nome

A escritora Lesley-Ann Jones conta em seu livro “Freddie Mercury: a biografia definitiva”, que colegas que conviveram no internato com ele relataram que o nome Farrok era difícil de ser pronunciado até mesmo para os professores, então aos poucos o apelido ‘Fred’ foi sendo constante. Por vezes ele assinava seu nome como Frederick, uma tradução em inglês daquele que se tornaria seu verdadeiro nome, Freddie.

Porém, a mudança de Freddie Bulsara para Freddie Mercury começou nos anos 70. No início de sua carreira como cantor, ele chegou a usar por pouco tempo o pseudônimo de Larry Lurex.

No documentário “Untold History”, Brian May conta que quando o nome da banda foi mudado para Queen, Freddie começou a pensar em um nome que fosse ‘ideal para uma estrela do rock’.

“O sobrenome ‘Mercury’ teria surgido durante a interpretação da música My Fairy King, que ele mesmo compôs em 1973. A letra inclui um verso: Oh! Mãe Mercúrio, o que me fizestes? E foi depois disso ele me disse: Vou mudar o nome para Mercury. A mãe desta canção é minha mãe, e passarei a me chamar Mercury. E nós todos dissemos: você está louco? Mas ele falava sério e mudou seu nome para Freddie Mercury”, disse.

May também acrescentou que a mudança era parte de uma nova identidade. “Acho que o ajudou a ser a pessoa que desejava ser. O jovem Bulsara ainda continuava presente, mas para o público ele era um personagem diferente, um deus”.


Freddie Mercury nos anos 70  (Foto: Reprodução)

Freddie se sentia um deus!..

Existe outra versão para a escolha do sobrenome ‘Mercury’. Seria em homenagem ao mensageiro romano dos deuses, Mercúrio, que é o planeta mais próximo do sol e tem cem luas. O planeta rege o signo de Freddie, virgem.

Fato é que ao longo de anos, todos os tipos de teorias surgiram em torno da questão da escolha do astro pelo sobrenome. Uma coisa é certa: nos palcos, Freddie sempre se sentiu como um deus, mesmo antes da fama, e sempre acreditou nisto.

Mercury se sentia um deus e sempre acreditou nisto (Foto: Fin Costello / Getty Images)

Assinatura do astro

Peter Freestone, assistente pessoal de Freddie entre os anos de 1979 a 1991, confirma em seu blog “Ask Phoebe” que o astro autografava para os fãs como 'Freddie Mercury'. Já em cheques era 'F. Mercury', o que confirma a alteração de seu nome nos anos 70 para 'Frederick Mercury', nome que constava em documentos como a carteira de identidade.


 

 


Referências: Documentário “Freddie Mercury - Untold History”; livros: “Freddie Mercury – Memórias do homem que o conhecia melhor” (Peter Freestone e David Evans),”Freddie Mercury – A biografia definitiva” (Lesley-Ann Jones), “Mercury and Me” (Jim Hustton e Tim Wapshott), “Freddie Mercury – a reportagem definitiva” (Ana D´Angelo), Blog “Ask Phoeb.

Créditos: Reprodução / Nenhuma intenção de infração de direito do autor

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 #lovefreddiemercury

 

 

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